| Entrevista com Tom e Christine Sine |
| Por Luis F. Batista | ||||||||
| 16 de abril de 2008 | ||||||||
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Primeira vez que li de Tom Sine, foi com o livro O Lado Oculto da Globalização , um livro bem interessante, Tom analisa algumas tendências mundiais e reforça o quanto a igreja será necessária para atender tanta gente que a cada dia estará à margem da sociedade, por outro lado, Tom levanta a importância da igreja focar o discipulado dos crentes na importância da vida simples e de uma vida que valorize a missão de ser igreja. Foi neste livro que ouvi falar pela primeira vez (isso em 2004) sobre comunidades monásticas, às quais comecei a entender melhor nos últimos tempos. Hoje ele e sua esposa, Christine Sine, estão à frente do Mustard Seed Associates, um grupo determinado a encontrar e a incentivar grãos de mostarda que Deus está plantando ao redor do mundo, esse é o tema do último livro lançado por Tom: The New Conspirators, criando o futuro um grão de mostarda a cada vez, nesse livro ele apresenta quatro vertentes que a igreja tem se enveredado e assim mudando o mundo: Igreja Emergente, Igrejas Missionais, Comunidades monásticas e movimentos mosáicos, o significado de cada uma destas vertentes você vai poder acompanhar na entrevista a seguir. Falei com eles duas semanas após a conferência que eles organizaram quando reuniram Shane Claiborne, Mark Scandrette, Eugene Cho entre outros para conversar sobre estas quatro vertentes, sobretudo, como vocês verão à seguir, o caminho das igrejas multiculturais. Christine Sine mantém um blog Godspace, de onde tenho aprendido muito sobre o calendário eclesiástico e sobre espiritualidade celta, uma alternativa muito interessante aos nossos tempos pós modernos. Segue então a transcrição da entrevista que postamos no começo da semana, desfrutem e comentem abaixo ou em nosso fórum Soube que vocês tiveram um começo de ano bem agitado, não? Vocês lançaram o livro "The New Conspirators" e também fizeram uma conferência, tem sido bem bem agitado pra vocês não é? (CS):Tivemos um começo de ano bem ocupado, com os cursos que tenho feito e o esforço para lançar o livro, tem sido bom mas tem sido um começo de ano bem ocupado.
Conversei semana passada com Spencer Burke e nós estamos buscando instalar um podcast no nosso site, todo esse tipo de idéias não são assim tão novas, mas nos dão uma boa oportunidade para conversar a respeito, por exemplo, quando li seu livro, foi minha primeira vez que li o temo "comunidade monástica!, Eu nunca ouvi falar a respeito de comunidades monásticas antes, mas principalmente a partir do ano passado comecei a saber mais a respeito, soube também que talvez tenhamos uma comunidade monástica aqui no Brasil, mas não soube como encontrá-los, uma coisa muito boa em lançar um site desses tem sido promover estas idéias novas e encorajar as pessoas a criar conteúdo em português e estamos bastante ansiosos por isso. (TS) É interessante que Brasil e Portugal tem um ambiente católico e deveriam estar mais a par de todo conceito monástico, mas esta visão para os Protestantes é realmente nova, que tipo de igreja você está ligado no Brasil? Cresci na igreja Presbiteriana e acho que muito de meus amigos são também da igreja Presbiteriana e muitos batistas também, mas esse tipo de conceito, como, observar a quaresma e o advento é novo pra gente ainda, eu aproveitei o material que a Christine postou o ano passado e o pessoal simplesmente amou! (TS)Nós gostamos e achamos que ajuda muito à nossa fé levando em conta que crescemos em um ambiente mais evangélico e isso tudo não fez parte de nossa experiência, mas também achamos que ganhamos muito mais. Eu sou um cara do natal, eu amo o natal e participar do advento e o natal e as epifânias fazem desse dia um momento mais longo, gosto muito de passar vários dias aproveitando a época do que somente um dia. (CS) Eu acho que uma das razões que o pessoal tem buscado cada vez mais estas práticas é o fato de ter alguma coisa em que focar ao invés daquela comercialização toda que ocorre na cultura ao nosso redor, isso nos ajuda a focar em nossa fé ao invés das coisas seculares que o mundo têm focado. Eu lembro de um ditado que diz "O melhor da festa é esperar por ela", quando estivemos esperando pelo natal... acho que no ano passado chegamos ao natal muito mais conscientes do significado da vinda de Jesus Cristo aqui. (CS) É, isso realmente faz diferença, não é mesmo? É o que achamos também, só a antecipação que ele traz e ganhamos mais a noção de se conectar a isso tudo o que é celebrar realmente o dia de Natal e o mesmo acontece à Páscoa. Qual tem sido a aceitação em geral desse tipo de material? Quando você busca aproveitar todo o calendário litúrgico? Que tipo de retorno você tem recebido? (CS)Eu creio que estamos encontrando cada vez mais gente se achegando a isso e embora encontremos estas práticas mais nas igrejas episcopais ou como os anglicanos e luteranos, nós temos encontrado um pessoal mais jovem, eles realmente buscam poder conectar-se aos eventos da vida, morte e ressurreição de Cristo, e até aqueles que não costumaram andar nesse tipo de caminho têm apreciado bastante, quando encontramos jovens se conectando a essas coisas e encontram estes eventos ao longo do ano, eu fico muito entusiasmada!Levando em conta que vocês estão na América e pelo que vi, a maioria deste material vêm do Reino Unido, com respeito às denominações principais dos Estados Unidos, você tem recebido alguma coisa a respeito deles também ? (CS)Eu penso que sim, A gente realmente ainda encontra muitos desses materiais a respeito destas práticas mais na Inglaterra do que nos Estados Unidos, mas a gente está encontrando, de forma bem interssante, temos conversado bastante com o pessoal das principais denominações que você não espera que estejam tão interessados neste tipo de coisas, como os presbiterianos... realmente em todas as denominações temos encontrado pessoas interessadas nisso, até nos Batistas do sul, ano passado, eles iniciaram, pelo menos, muitos batistas do sul começaram a dar mais ênfase à Quaresma e ao Advento mais do que nunca antes, temos tido realmente um bom retorno deles. Vi também que muito dessa ênfase tem sido promovida pelo Renovare, que trabalha com as disciplinas espirituais, isso é uma virada muito boa (CS)Acho que Richard Foster que escreveu "Celebração da Disciplina" que iniciou o Renovare, influenciou muitos de nós nessa direção e tenho encontrado muitos jovens que estão encontrando estas coisas em seus livros e se movendo a essa direção por causa daquilo que ele tem feito, por isso considero este trabalho bem influente também. Acho que é um caminho muito interessante que este pessoal está escolhendo, depois de passar tanto tempo quando a igreja evitava esse tipo de liturgia, essa virada é muito benvinda. (CS)Acho particularmente neste mundo de hoje que temos sido constantemente bombardeados por vários tipos de mensagens, estas práticas nos ajudam a focar na mensagem de Jesus no nosso dia a dia e não somente no domingo, isso nos dá um grande avanço
E a respeito da conferência, O que Deus está fazendo no mundo*? O que vocês descobriram nestes dias?(*Esse foi o tema da conferência "What in the world is God doing?) (TS)Dessa vez nós tivemos umas 300 pessoas, tivemos uma boa mistura de idades, nós tivemos muitos jovens mas também tivemos um pessoal com mais idade, tivemos evangélicos mas também um pessoal de teologia mais liberal, mas todos tiveram um grande respeito um para com o outro e tínhamos pessoas ligadas às comunidades monásticas, à comunidades que têm praticado novas formas de igrejas missionais. Tivemos um foco maior em plantação de igrejas multiculturais, nós tivemos uma mensagem muito forte de Efrem Smith, que tem uma igreja multicultural em Minneapolis, ele participou da autoria de um livro chamado "Hip-hop church", e tivemos um louvor com hip hop e naquela manhã ele falou e nos trouxe uma mensagem bastante forte àqueles que vem de um background europeu a respeito de se reconhecer o privilégio branco e a forma da igreja ser um meio de mudança de uma cultura monocultural para uma cultura multicultural, isso porque os Estados Unidos, por volta de 2030, vai se tornar essencialmente não europeu como um todo, por causa do crescimento entre os latinos, afro-americanos, asitáticos e grupos imigrantes de todo tipo, e isso levanta a questão a respeito de se conectar às igrejas monoculturais, ele trouxe uma palavra boa a todos nós que fazemos parte de vários grupos com várias perspectivas diferentes e de idades diferentes e Deus foi muito gracioso conosco em nos ajudar a realmente ouvir um ao outro. Tenho visto que esse tema da igreja multiracial é algom bem relevante nos Estados Unidos, aqui na América do Sul não estamos acostumados a ter uma igreja para um tipo específico de raça, isso faz mais sentido por aí não é? (TS)Você está falando que o Brasil é uma sociedade multiracial em que você não tem esses problemas de raças? Sim, muitas das raças são mestiças, temos até uma discussão se devemos ou não dividir as pessoas por raças por aqui, porque muitas das pessoas tem raças misturadas, de fato nós tivemos muitos dos negros realmente prejudicados ao longo da história e eles sofrem os efeitos disso ainda hoje, mas temos também tanto negros como brancos pobres por aqui, de qualquer forma nós não costumamos a ver igrejas que congregam pessoas de um povo único assim como é nos Estados Unidos (CS) Isso é muito bom, acho que é o tipo de lugar que muitos da igreja ocidental tem a aprender como o Brasil, isso porque queremos sair de uma igreja monocultural que está alheia aos efeitos de se ter um outro tipo de igreja, nós temos muito a aprender de outros lugares onde a cultura multicultural é o normal como é normal no Brasil e por isso precisamos de mais gente que nos conte como são as coisas aí para que a gente possa aprender com vocês também. No livro New Conspirators, você fala a respeito de quarto vertentes, uma é a igreja Emergente, os movimentos monásticos contemporâneos, igreja missional e movimentos mosaicos (TS)A vertente emergente começou na Inglaterra no final dos anos oitenta, a vertente missional saiu do livro de Darrel Guder chamado “Missional Church” no final dos anos noventa, a vertente multicultural da qual falamos não tem tanta visibilidade no meio de tudo na igreja americana, o livro tende a apresentar uma visão bem branca e européia então na visão multicultural nós tentamos auxiliar as pessoas a se conscientizarem que Deus está levantando muitos grupos assim e na vertente monástica, eles não estão como outros grupos tão interessados em iniciar novas igrejas, mas estão mais interessadas em criar comunidades onde eles possam trabalhar diretamente com o podbre e se envolvem naquilo que a gente falou a respeito de liturgia de vida e essas coisas Cheguei a ler em um de seus blogs que os movimentos monásticos não são tão interessados em plantar novas comunidades, como esse tipo de comunidade tem se espalhado se eles não apresentam esse esforço? (TS)As comunidades monásticas tem uma visibilidade muito pequena, tem reunido essencialmente jovens de pouco mais de vinte anos e alguns na meia idade que acabam se mudando para os subúrbios das cidades no mundo subdesenvolvido fora dos Estados Unidos, na América Latina, Ásia e África, então eles se mudam para as cidades mais pobres e vivem em comunidade, trabalham com o pobre e desenvolvem liturgias, regras de vida, práticas espirituais, eles vivem de forma bem próxima aos católicos franciscanos urbanos no mesmo nível econômico das pessoas com quem convive, você encontra grupos bem diferentes você encontra o “Word made flesh” se você buscar no Google dessa forma, vai encontrar, “Service with the poor”, “Asian Service with the poor”, UNOH é outro grupo, na Austrália e estes grupos são os grupos que tenho descrito no livro que são movimentos pequenos mas muito ricos, há muitos missionários que quando vão para países diferentes como o Brasil ou o Haiti onde até trabalhei, eles vivem um estilo de vida bem privilegiado em condomínios missionários onde convivem com um pessoal mais afluente mesmo em lugares em que o normal é a pobreza, gostaria de ver os Protestantes fazerem o que os Católicos tem feito todo esse tempo e se mudarem para os lugares onde o pessoal está lutando contra a pobreza e fazerem parte dos lugares onde eles moram, o movimento em geral é pequeno, vocês tem bastante gente que trabalha com as crianças de rua, que trabalham com o pobre não é. Vocês tem comunidades de pessoas que vivem e abrem sua casa nas comunidades mais pobres e trabalham com o pobre? Vocês têm isso no Brasil? Na verdade eu não sei, esse é um dos objetivos do site, também queremos saber o que Deus está fazendo no Brasil e espero que à medida que trabalharmos e espalharmos esse tipo de mensagem, recebamos avisos como “Ei estamos aqui”, mas na verdade eu só ouvi falar que havia uma comunidade monástica no sul do Brasil, mas não fui adiante para saber. (CS)Acho que quando nós pensamos em lançar o website que fizemos da Mustard Seed Associates, uma das coisas que queríamos era enfatizar alguma coisa daquilo que está acontecendo em outras partes do mundo, seria maravilhoso se vocês pudessem fazer isso em seu site e contar para gente aquilo que você está vendo no Brasil, assim poderíamos colocar em nosso site e blog também e outras pessoas podem se conectar ao que vocês estão fazendo, seria muito bom! Sim! Estou muito contente em saber que esta conversa é somente um primeiro contato e temos bastante a conversar , nós temos bastante a conversar e espero que possamos fomentar mais conversas pela frente (TS)Nós temos bastante a aprender com vocês também, então, por favor, compartilhe conosco suas estórias de bons grãos de mostarda que Deus está plantando no Brasil porque gostaríamos de compartilhar com o pessoal de nossa rede também, e por favor tenha consigo também o desafio pessoal que nós temos pela frente, vamos lançar o livro na Austrália no mês que vem (abril) então eu gostaria da oração de vocês pela ajuda de Deus a nós. (CS) Seria muito bom manter o contato e nos falarmos em outras horas, quando você me escreveu, acho que no meu blog, fiquei muito contente em ter alguém com quem conversar do Brasil, eu já estive no Brasil na década de oitenta e não voltei desde então, a gente viaja bastante e gostamos muito de se conectar às pessoas nos lugares onde vamos e assim alargamos nossos contatos e realmente creio que à medida que mantivermos esse contato poderíamos ajudar de alguma forma o que vocês estão fazendo e estaremos orando pelo trabalho que vocês fazem também.
É mais simples definir o movimento monástico, mas entre a igreja missional e a emergente, que tipos de conceito você tem com estas vertentes? (TS)A igreja emergente, eu acho, surgiu na Inglaterra quando os jovens se conscientizaram de que a igreja estabelecida não tinha mais condições de se conectar aos outros jovens, havia muitos jovens interessados em espiritualidade, mas não da forma padronizada que era apresentada nestas igrejas, então eles começaram a criar centros de arte e cafés para conversar a respeito de Jesus que nunca iriam a igreja tradicional, então eles se tornaram bem experientes em contextualizar novas expressões de igreja para alcançar estes jovens que estavam bem longe da igreja e que tinham um pensamento mais pós-moderno, e o que caracteriza a igreja missional é fazer que algumas igrejas presbiterianas, luteranas por exemplo focalizem não em atender às necessidades das pessoas de dentro do templo, porque muitas das igrejas dos Estados Unidos, 90% do dinheiro e tempo são focados a atender ás necessidades das pessoas de dentro do prédio da igreja e seus filhos, a igreja missional busca mudar isso, então eles focam em equipar as pessoas através de grupos pequenos a atingir e ir ao encontro das necessidades das pessoas da vizinhança, então o dinheiro e o tempo que eles têm são direcionados de forma mais externa à missão aos vizinhos e às necessidades das comunidades. Então aqui está a diferença, a igreja emergente e a missional tendem a se juntar então a distinção que faço é que a igreja emergente é mais focada em criar um ambiente para iniciar discussões com pessoas que nunca iriam à igreja e a igreja missional está empenhando a que pessoas como nós tenhamos o foco de direcionar tempo e programas para atender às necessidades das comunidades ao invés do pensamento fechado que fazem parte das igrejas que temos aqui nos Estados Unidos, isso faz sentido? Então os terceiros lugares tem um conceito mssional? (TS)Terceiros lugares vem de uma linguagem de arquitetura e busca que a igreja seja mais do que um lugar em que presbiterianos e luteranos vão uma vez por semana e mais um lugar inserido na comunidade, esse conceito é tanto missional como emergente, tentando criar um espaço que a comunidade alcance as pessoas que não são presbiterianos, nem luteranos nem católicos que estão fora da igreja. E a respeito do Mustard Seed House, é uma comunidade monástica que vocês participam? (TS)Na verdade, não, nós vivemos em uma casa com três apartamentos, temos uma casa sobre a nossa com uma família de Portugal com duas crianças e uma casal de vinte e poucos anos que vivem embaixo da gente, temos algumas refeições juntas ao longo da semana e nos juntamos para orar, estudar a Bíblia, e vamos a igrejas diferentes, não somos uma igreja, nós simplesmente nos juntamos para orar, meditar, comer, celebrar, parecemos ser um pouco uma família, mas não somos uma igrejaEu vi o blog do Mustard Seed house e gostei bastante do que vi (CS)Realmente fazemos bem em dividir a vida juntos, mas isso é ainda uma experiência, isso tudo é novo , para todos nós, hoje vamos ter uma noite comunitária, em outra hora comemos, conversamos e temos alguma prática litúrgica e coisas assim, toda quinta a gente se reúne para comunidade e todo domingo à noite nos juntamos para orarPraticamente é uma igreja não é? (CS)De uma certa forma até sim, algumas pessoas me diriam isso que você falou, lógico que tem bastante gente atraída às pequenas igrejas nas casas ao invés de uma igreja grande, de certa forma é verdade, mas considerando que todos vamos às nossas igrejas, pensamos nisso mais como uma família estendida, alguma coisa diferente de uma igreja em si mesma.
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| Última Atualização ( 17 de abril de 2008 ) | ||||||||