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Por Luis F. Batista   
02 de maio de 2008
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Vivendo como Exilados
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Canções Perigosas 

"De uma forma bem real, se uma igreja missional tem um culto público, este é literalmente a pontinha de todo um iceberg - uma parte muito pequena, mas visível, de um corpo bem maior. Hoje, quando as pessoas dizem que querem nos conhecer, eu sugiro que passe uns quatro dias conosco, mas poucos acabam querendo isso. Porque a gente não consegue pensar em fazer igreja como uma rede de relacionamentos? Porque estamos tão obcecados em um simples evento ao invés de buscar um ritmo de uma comunidade "igrejando" juntos?... O resultado de cerca de dois séculos de Cristandade é que os cristãos tornaram-se acostumados à idéia de que sua fé é primariamente expressada em comparecer aos encontros - encontros de louvor, casamentos, funerais, reuniões de oração" (p.276-277) 

- A Deus seja a Glória - Conforme declarado no texto acima, de um tempo para cá, a experiência da igreja tem sido restrita e confundida com o culto de louvor, se a pessoa pergunta como a igreja é, na maioria das vezes, vai ter uma resposta do tipo de som que toca, se o louvor é avivado ou não. O Catecismo de Westminster diz que o fim principal do homem é glorificar a Deus, mas o que é isso? O Catecismo esclarece que glorificar a Deus assume quatro formas básicas: Apreciação (admiração e respeito), Adoração (louvor público), Afeto (amar e se deleitar em Deus) e Sujeição (obediência e serviço), quer dizer, há uma face da glorificação a Deus hiperdesenvolvida em detrimento dos outros. Levando em conta a história de como a igreja começou, o culto de louvor não era aquilo que fazia as pessoas terminarem o domingo confessando umas ás outras "Uau! Hoje o culto foi muito bom, boa semana pra você", mas sim o culto era um reflexo claro da vida comunitária que se nutria durante a semana através da comunhão, adoração diária através de uma vida missional e o serviço.

O louvor do tipo liderado pelo palanque é o tipo de louvor que o exilado busca evitar, seu louvor comunitário assume cinco características:

  • Comunal - ele encoraja a contribuição de todos, não apenas dos talentosos
  • Contextual - Seu louvor emerge das culturas e subculturas à qual a comunidade serve
  • Ambiente - Ela é multisensorial, explora as artes visuais, tradições cristãs redescobertas e busca um novo enfoque musical
  • Ritualizado - Ela explora as manifestações cristãs na história como labirintos, lectio divinas, meditações etc
  • Cantos Cheios do Espírito - não deixa de explorar os salmos, hinos e cântos espirituais

- Jesus não é meu namorado - Lembro de um espisódio realmente hilário do South Park em que o Cartman (o mais gordinho) resolve fazer sucesso com uma banda gospel em que pega as letras românticas da época e simplesmente coloca Jesus no meio. E é justamente o que têm acontecido, muito nos Estados Unidos e bastante aqui também, infelizmente a confusão que se faz a respeito do amor é tão grande, que as pessoas acabam confundindo todo amor com o amor romântico, assisti há um tempo atrás uma palestra do próprio Michael Frost em que ele começa como iniciou esse capítulo afirmando que o amor de Deus, o amor real é muito mais profundo, rico e poderoso do que qualquer paixão que experimentamos no dia a dia. Por isso, Frost nos exorta a buscarmos um entendimento mais bíblico e menos comercial do que significa realmente a natureza cristã do amor de Deus. Tanto que nosso amor a Deus é refletido no nosso amor a outras pessoas, em obedecer aos mandamentos de Jesus, na questão que fazemos em passar tempo com Ele,  em falar a respeito das coisas de Deus, em desejar a vinda de Cristo, em rejeitar os outros deuses e ídolos, em oferecer nossa própria vida, em amar tudo aquilo que Ele criou e em perdoar aos outros, rico não?

Toda vez que vejo que somos um povo com uma canção, eu lembro desta música que o Pastor Ed René gosta de lembrar que era cantada na revolução dos cravos em Portugal, uma canção que expressa nossa esperança e nos anima a prosseguir esta jornada:

Convite à Liberdade

Ó vinde vós os povos de todas as nações,
Erguei-vos e cantai com alegria,
Fazei nos ares soar a nova melodia:
Que Jesus Cristo traz libertação.

É tempo de romper a vil escravidão,
Que em vós exercem homens ou idéias.
É tempo de dizer que só Deus pode ser,
o único Senhor da humanidade.

A verdade vos libertará.
Sereis em Cristo verdadeiramente livres.
Vinde todos! Sim, ó vinde já!
E celebrai com alegria a vossa libertação!

E vós os oprimidos, e vós os explorados,
E vós os que viveis em agonia.
E vós os cegos, coxos, vós cativos, sós,
Sabei que em breve vem um novo dia.

Um dia de justiça, um dia de verdade.
Um dia em que haverá na terra a paz,
Em que será vencida a morte pela vida
E a escravidão enfim acabará.



Última Atualização ( 06 de maio de 2008 )
 
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