02 de setembro de 2010
 
 
Emerging Churches: Creating Christian Community in Postmodern Cultures PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 2
PiorMelhor 
Por Luis F. Batista   
28 de janeiro de 2008
Esse livro é o resultado de uma pesquisa acadêmica de 5 anos feitas por Eddie Gibbs (autor de ChurchNext) e Ryan K Bolger, focalizaram, é lógico, igrejas dos Estados Unidos e também da Inglaterra, colocaram no final uma apresentação de 50 dos líderes emergentes que eles entrevistaram e me identifiquei muito com vários deles.
Sempre foi meio complicado definir Igreja Emergente, alguns deles nem aceitam ser chamados como igreja emergente, pela aversão às etiquetas. Outros se consideram pós-evangélicos (como eu estava até me considerando), outros nem estavam se considerando católicos ou protestantes. Como vários fatos histórios, começo a consolidar em minha mente, a idéia que a Igreja Emergente é uma reação:
  • Uma reação aos excessos que tomaram conta de várias igrejas que tentaram praticar o que Willow Creek e Saddleback propuseram, mas implantaram de forma excessivamente profissional deixando de lado a autenticidade e a simplicidade da comunidade
  • Uma reação às formas rígidas de ser igreja, a igreja cabia muito bem aos quarentões de pensamento moderno e aos jovens já aculturados na igreja, mas não fazia sentido aos jovens com mentalidade pós-moderna e aos jovens cristãos que começaram a fazer perguntas. As tentativas de evangelização com as quatro leis espirituais e os cultos de evangelização eram como enfrentar um tigre com estilete.
  • Uma busca sincera e sem prerrogativas ao "o que realmente significa seguir Jesus Cristo?"
    Daí encontramos vários exemplos de igrejas grandes e minúsculas, tradicionais e pentecostais, de teologia liberal e conservadora onde o pessoal resolveu questionar várias fórmulas de ser igreja e passaram a ousar em suas comunidades, conceberam estruturas (ou não-estruturas) diferenciadas de louvor, de liderança, de missão etc. Você encontra desde igrejas que são mais um grupo que se reune constantemente sem nenhum pastor pago em tempo integral que doam seus dízimos a missões ou igrejas cujos grupos de louvor não se apresentam á frente da congregação para evitar a exposição ou outros que preferiram a liderança de um DJ que já está em um lugar não exposto.
    Eles listaram nove características comuns na maioria das igrejas emergentes:
  1. Identificação com Jesus
  2. Transformação do ambiente secular
  3.  Vida em comunidade
  4. Recebendo o de fora
  5. Servindo com Generosidade
  6. Participando como produtores
  7. Criando como seres criados
  8. Liderando como corpo
  9. Mesclando Espiritualidade antiga e contemporânea

1. Identificação com Jesus - Aqui se reflete a grande influência da Teologia da Missão Integral nas novas igrejas. Influenciados por NT Wright e por Dallas Willard (principalmente com o livro Conspiração Divina), enquanto as igrejas modernas saem a convidar as pessoas para serem crentes com direito de participação na comunidade e entrada para o céu após a morte. Hoje a igreja sai para anunciar que o Reino dos céus está ao alcance de todos AGORA, seguir a Cristo, significa aceitar seu convite em levar boas novas do Reino o que não significa somente falar, mas ser as boas novas, isto é, promovê-lo com as ações de amore que Cristo mesmo enfatizou.
No início havia o Reino estabelecido por Cristo e a igreja como um círculo inserido totalmente em um círculo maior, ao longo da história, a igreja, ao fortalecer-se institucionalmente permitiu que este círculo se movesse para fora do círculo do reino com alguma área de intersecção, pois passaria a ter prioridades de manutenção da instituição além da promoção do Reino de Cristo. A igreja pós-moderna reconhece que as ações do Reino não são monopólio da igreja organizada, e por isso, se empenha em identificar como Deus tem agido e se une à Sua ação.
2. Transformação do ambiente secular - "A modernidade empurrou a igreja às margens da sociedade relegando-a a tarefa de provedor religioso. A igreja aceitou este favor permitindo que os outros interesses da sociedade estivessem além de seu domínio, os quais habitariam o mundo 'secular'. Como essa regra moderna está ruindo, a igreja começa a sentir os prejuízos. Um desejo por uma espiritualidade holística encheu a cultura e a igreja se viu mal preparada para esta tarefa." (tradução minha) Acho que a palavra chave que tenho visto mais frequentemente é "Encarnação", fazer o espiritual visível e palpável. Dada a missão da igreja estabelecida no tópico anterior, a igreja passa a mergulhar na cultura a fim de estender o reino até lá. Como não há cultura ruim ou boa, faz-se inútil a classificação entre sacro e profano (já li que essa classificação era mais coisa de Platão do que de Jesus Cristo), estender o reino significa redimir a cultura para Jesus, busca-se então, fazer Jesus Cristo presente a todo o momento, e não somente nos momentos de culto. Assim como a Reforma Protestante teve uma ajuda da disseminação da escrita com a imprensa, hoje a igreja busca ampliar sua mensagem aproveitando a disseminação da imagem.
3. Vida em comunidade - Como falamos em encarnação, uma das formas mais fortes de se tornar a presença de Cristo muito visível no mundo é através da comunidade, as igrejas emergentes sabem dessa responsabilidade e buscam essa direção ao estruturar a igreja. Por causa da institucionalização da igreja, faz-se necessário buscar o sentido de que igreja não significa o templo, as programações ou uma rotina de domingo, mas sim significa as pessoas, a comunidade, um ritmo de vida e uma forma de se conectar com outros seguidores de Cristo nesse mundo. A ênfase nos relacionamentos passa a ser prioritária, uma vez que Cristo desejou que seus discípulos fossem conhecidos pelo amor. Por causa disso os pequenos grupos são bastante enfatizados e às vezes ganham mais importância do que as reuniões com o grupo maior.

4. Recebendo o de fora -  A modernidade associada ao controle busca iguais assim como busca fazer as pessoas do seu grupo iguais, na pós modernidade, a pluralidade é valorizada em detrimento de todo o controle que se queira ter. Isso faz com que as comunidades emergentes busquem seu exterior para se identificar com eles e abençoá-los. O evangelismo apologético, em que há uma luta em que quem tem os melhores argumentos derruba o outro, como um judô, dá lugar à vida apologética em que os discípulos se tornam as boas novas, a apologética é mais uma direção espiritual do que uma confrontação. As pessoas deixam de lado sua agenda, em que seus amigos são alvos evangelísticos e toda boa ação acaba tendo sempre essa segunda intenção, para ser as boas novas, amar e envolver seu meio com o amor de Cristo, a agenda, na verdade é direcionada pelo Espírito Santo que irá direcionar seus amigos a Cristo com sua vida.
5. Servindo com Generosidade -  As igrejas institucionalizadas acabaram carregando demais no marketing em que buscam as maiores novidades para agradar seus clientes e transformam Jesus em um produto a ser consumido até que um Jesus diferente apareça. Nessa teologia orientada ao cliente, a comunidade não é desafiada e associa as bênçãos ao modelo de vida consumista que nutrimos no dia a dia. À medida que abraçam os valores do reino, as comunidades buscam inspirar os discípulos a rejeitarem o modelo consumista de vida e de espiritualidade para se engajar em uma hospitalidade e generosidade que lembra muito mais o que Jesus era enquanto andou aqui, levando amor e cura às pessoas do mundo. A Grande Comissão anda junto com o Grande Mandamento.

6. Participando como produtores- Um outro aspecto das igrejas institucionais, é o fato da maioria das pessoas irem a igreja para usufruir de um culto e participar passivamente do que lhes é oferecido. Essas novas comunidades trabalham para envolver a todos no louvor, os grupos não vão à frente para ser "a banda", às vezes eles nem vão à frente para não levar o pessoal a pensar que quem faz o louvor são eles e não a comunidade, a comunidade é de alguma forma encorajada a desenvolver o louvor. Muitas dessas comunidades buscam criar seu próprio repertório de forma que este reflita mais suas realidades.
7. Criando como seres criados- Nota-se também uma ênfase muito grande na expressão artística, que vai muito além da música e envolve as artes plásticas, imagens, poesias, teatro etc. Os rituais são encorajados como expressões criativas e uma forma de tornar a comunidade em um papel mais participativo. A própria criatividade é muito encorajada a fim de refletir nossa semelhança com um Deus criativo, portanto a criatividade deve ser relfetida em todos os processos da comunidade.
8. Liderando como corpo- A modernização da igreja acabou gerando uma liderança associada a poder, controle e submissão a autoridade, e isso gerou (e tem gerado) muita frustração. Nas comunidades apresentadas, busca-se um modelo de liderança que utilize-se muito mais da persuasão, do que o poder. As hierarquias são desencorajadas a fim de buscar uma uniformidade maior no corpo, por isso elas formam redes ao invés de hierarquias. "Nós existimos por causa dos relacionamentos. Por isso nós medimos nosso sucesso na nossa habilidade de manter relacionamentos em detrimento de uma missão arbitrária definida de cima para baixo por uma panela de líderes" (Brad Cecil)

9. Mesclando Espiritualidade antiga e contemporânea- Como já foi colocado em tópicos anteriores, a pós-modernidade fomenta um interesse em uma espiritualidade que não se restrinja a atos religiosos, mas sim que inclua toda a vida. Por isso que há um interesse cada vez maior na espiritualidade ao mesmo tempo que o interesse em religião declina. O autor definie espiritualidade como uma reação a uma secularização faminta a alma que permeia a cultura. Há uma reação ao hiperativismo uma vez que ela fomenta a performance e despreza a contemplação e o relaxamento físico. As liturgias são valorizadas quando elas são culturalmente assecíveis com uma explicação adequada e provê uma autenticidade relacional. As disciplinas espirituais são da mesma forma encorajadas para que os crentes saibam principalmente empreender uma fé que os sustente não somente no culto público.

E é isso, essa reação vai tomando forma, às vezes eu me surpreendo com o que vejo, às vezes eu somente guardo no coração, não sei se posso me considerar emergente, nem sei se desejo a isso. Desejo uma comunidade que reflita Jesus Cristo de verdade, essas experiências me ajudaram em algumas coisas e em outras ainda acho estranhas. De qualquer forma me encoraja saber do tanto de gente que não está se conformando com esse mundo, com a igreja que esse mundo formou e está reagindo... como acho que também estou.

 

Veja outros pontos de vista:

Comentários
Adicionar novo Busca RSS
+/-
Escrever um comentário
Nome:
E-mail:
 
Website:
Título:
UBBCode:
[b] [i] [u] [url] [quote] [code] [img] 
 
 
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."





Digg!Reddit!Del.icio.us!Google!Live!Facebook!Slashdot!Netscape!Technorati!Furl!Yahoo!Ma.gnolia!Squidoo!Free social bookmarking plugins and extensions for Joomla! websites!
Última Atualização ( 08 de abril de 2008 )
 
< Anterior