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Até o dia 30 de Setembro teremos várias reflexões a sobre a igreja do
Brasil, hoje colabora conosco o Sandro Baggio. Se você quiser ver do que essa série se trata e
quem vai participar, veja o post de apresentação da série :
Igreja Evangélica Brasileira,
Confesso que nos últimos anos tenho nutrido sentimentos ambíguos a seu respeito.
Foi por sua instrumentalidade que, tendo sido alcançado pela Graça, nasci para uma nova vida e comecei a aprender a amar Aquele que me amou primeiro.
Em seu seio comecei a saciar o leite da Palavra e amar as Escrituras. Foi emocionante o momento em que comprei minha primeira Bíblia e comecei a lê-la com fome por conhecer a Deus. Naquela época você ainda não tinha sido contaminada pelo emergente liberalismo que matou a fé no Velho Continente e que já ameaça fazer o mesmo por aqui.
Nos relacionamentos com sua grande e diversa família comecei a descobrir a fé que move montanhas existenciais e abriu meus olhos para a eternidade, para as coisas que não se vêem. O exemplo de tanta gente humildade e perseverante, lutando pela fé que de uma vez por todas foi confiada aos santos, me levou a engajar na luta com a esperança que supera o medo e impulsiona-nos rumo a um mundo melhor.
Alguns de seus pregadores me ensinaram a pensar a fé dentro de um contexto histórico, me mostraram que seguir Jesus é o mais fascinante projeto de vida, me ajudaram a entender que Cristianismo e Política não precisam ser divorciados, mas que a Igreja pode ser uma agência de transformação histórica quando ela vive a utopia do possível Reino de Deus. Uns abriram meus olhos para o relacionamento da Igreja local e missões e para a responsabilidade da igreja local com a mobilização, preparação, envio e sustento de missionários ao redor do mundo; outros me ensinaram que cada igreja local deve ser uma comunidade missionária e enxergar os desafios além mar sem esquecer o desafio missionário sempre presente aqui mesmo. Escutando seus sermões e observando suas vidas, aprendi que é preciso sonhar com o céu sem perder o bom senso de quem vive com os pés no pó e, às vezes, literalmente na lama do mundo.
Foi em sua recém-nascida hinologia que ouvi as primeiras canções cuja poesia singela centrada na Bíblia e marcada pela consciência da realidade nacional, cativou meu coração e se tornou para mim uma fonte de água viva. Era tão bom ouvir e cantar sobre a minha fé com inteligência, beleza, livre de chavões repetitivos e com melodias sintonizadas com o meu tempo.
Igreja Evangélica Brasileira, por tudo isso e muito mais, sou tremendamente grato a Deus por sua existência. Quanto mais viajo ao redor do mundo, mais percebo sua grandeza e riqueza. Mas minha paixão por você começou a se esfriar quando eu a vi enveredar-se por um outro Evangelho...
Onde o Criador ficou mais parecido com o Gênio da Lâmpada que satisfaz os desejos de alguns sortudos possuidores da fórmula mágica do evangelho da prosperidade, do que com o Pai da Luzes que a todos dá livremente mediante Sua Graça Maravilhosa;
Onde Jesus se tornou servo de seus seguidores que, apesar de declararem que seus automóveis são "propriedade exclusiva do Senhor Jesus", vivem vidas marcadas pelo egoísmo, se parecem mais com o fariseu e levita do que com o bom samaritano, dizendo amar Jesus e se esquecendo de seus pequeninos irmãos;
Onde o Espírito se tornou um guia manipulado por decretações e chavões pseudo-espirituais em vez do Divino Conselheiro que guia-nos em toda a verdade.
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