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Até o dia 30 de Setembro teremos várias reflexões a sobre a igreja do Brasil, hoje colabora conosco o Ricardo Oliveira. Se você quiser ver do que essa série se trata e quem vai participar, veja o post de apresentação da série :
Algumas ideias para a igreja brasileira de hoje
Aprendi duas coisas importantes com dois americanos de idades, caminhadas e vivências diferentes, mas com a mesma fé. Keith, um pastor californiano que um dia foi oficial de polícia, tem uma incrível capacidade de sintetizar verdades e também de me fazer rir. Ele sempre conta histórias hilárias antes de falar de realidades profundas. Parece que pretende nos relaxar a mente e então vir com o que precisamos na mesma medida do riso. Foi recente quando ele contou umas três histórias bem engraçadas e depois algo que soma-se bastante a algumas coisas que já vinha pensando e aprendi com minha amiga Marcella (leitora ávida do argentino Alejandro Rodrigues, a quem ela dá o crédito). Se Deus não vive neste tempo linear no qual passamos nossa existência, se para ele talvez nem haja esse tempo, talvez ele não nos veja onde nos enxergamos. Nós geralmente nos vemos caminhando em direção a não-sei-o-quê, sujos, perdidos e loucos. Ele, eterno e de visão completa, já nos vê inteiros, perfeitos e restaurados, vivendo com Ele novamente. Logo, o que faço e penso, não importa - minha identidade nEle, sim.
Brennan Manning (o outro americano), enfatiza essa verdade no Impostor que Vive em Mim. Porém, como já é de seu costume, nos desafia: e se determinadas atitudes revelassem o que devemos ser? Ora, o que faço importa sim. Posso não gostar de alguém, mas esse alguém continua merecendo meu serviço em humildade. Não é hipocrisia, afirma Manning, mas é agir como se deveria. Deus não se importa com o que você faz, mas com o que você é. Porém, certas atitudes revelam quem você É nEle.
Portanto, se há apenas uma sugestão que posso dar, que seja esta: que você seja mais artista e faça, sinta e reflita mais arte.
Só assim, entenderá a importância da poesia (profética) contemporânea que diz:
Pensei que só por meu pensar
Tu virias a ser, mas não
Eu pensei que só por meu cantar
Tu virias a ser, mas não
É que a música soou
Mesmo sem minha voz
É que o Senhor me tocou
Quando esqueci de imaginar
(Trecho de "Pensei", de Marcos Almeida, da banda Palavrantiga)
Pensamentos como este, abertos e irônicos, continuam a indicar que nossa prepotência em achar que qualquer coisa que façamos poderá atrair Deus, é fadada ao erro. Ele já quer estar conosco, basta entendermos que precisamos ser.
Este Pai criativo nos fez criativos como Ele, logo co-criadores. Palavra tão em voga nestes tempos de inteligência coletiva, a co-criação continua sendo real, mesmo que antiga e explicada desde Gênesis 2:19. O que de fato precisa mudar é o jeito como a enxergamos, para daí, então, fazer nova arte. O desafio é que na igreja de hoje, existam mais artistas dispostos a largar tudo para viver disso e descobrir, diariamente, que arte não é meio-para-alcançar-perdidos, mas, sobretudo, forma-de-viver-e-entender aquele que nos criou. Luz, se é luz, não precisa gritar pra ninguém "eu sou luz" - ela simplesmente é.
Logo, é importante que também invista-se tempo sentindo arte. Estar disposto a manter os olhos abertos é um ato corajoso. Já diria outro poeta, desta vez Marcelo Camelo: "Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom, daqui não". Certo de que Deus está interessado nesta percepção, nesta nova sensorialidade, proponho: cheire, toque, morda, mastigue, regurgite e sinta toda arte que te cerca. Descubra Deus (ou a ausência dele) nas teorias conspiratórias do Muse, nos stencils contestadores de Bansky, n'O Grito de Munch, no retrato da juventude feito por Gus Van Sant, na dança de Márcia Milhazes, no ateísmo de Saramago.
Por fim, reflita sobre a arte que produzir enquanto grupo que se inspira na mesma essência. Senhores autores e pensadores da arte cristã: nós já entendemos que vocês são saudosistas e não gostam de muita coisa. Nosso anseio é que agora se tornem caçadores de tesouros escondidos como Derek Webb, Crombie, Sleeping At Last, Alexandre Lettnin, Paulo Brabo, Perambularte, Donald Miller, Lucas Souza e tantos outros que já escolheram os caminhos aqui sugeridos (e que de inspiração podem servir).
Que a igreja de hoje inspire e expire arte. Que ela seja e faça.
Ricardo Oliveira mantém o site Diversitá, Louco por cinema, criou seu primeiro blog em 2000 e, um ano depois, fez dele o extinto Cineblog. Ali, convidou amigos e começou a escrever críticas e falar sobre novidades cinematográficas quando ainda tinha 15 anos. De lá pra cá as coisas mudaram e Ricardo hoje é graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela UFPB, onde a cinefilia só aumentou. Escreve sobre os filmes que vê para o Guia Cenário Cultural, revista de grande circulação em João Pessoa, e teve críticas publicadas no Jornal da Paraíba. Hoje também é palestrante sobre comunicação digital e mestrando em comunicação pelo Programa de Pós Graduação da UFPB e lá pesquisa convergência midiática. Em novembro será lançado o seu primeiro livro sobre o assunto. Ricardo, misteriosamente, acredita num Deus pessoal e vive por ele – crendo de verdade que isso faz toda diferença
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