| Restituindo a Esperança |
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| Por Sandro Baggio | ||||||||
| 09 de fevereiro de 2008 | ||||||||
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João estava no fundo do poço. Alcoólatra há muitos anos, havia perdido o casamento, o emprego e os poucos amigos que lhe restavam, ele não estava certo de que realmente eram seus amigos. Um dia surgiu para ele um raio de esperança através de um folheto encontrado no banco de uma praça. A promessa de uma nova vida parecia tentadora demais para que ele a desprezasse. Olhou o endereço e no dia marcado apareceu para a reunião. Apesar de sua aparência, as pessoas o receberam bem e pareciam interessadas em sua felicidade. ... ...Ele se converteu. Recebeu muita oração para deixar o vício e aprendeu a orar. Começou a ler a Bíblia e, apesar de não entender muito do que lia, parecia que havia algo sobrenatural naquele livro que alimentava sua alma. Foi batizado e recebeu abraços calorosos de muitas pessoas que pareciam ter se tornado sua família. As coisas ainda eram difíceis para ele, sentia-se tentado a fazer coisas que sabia serem erradas e algumas vezes caia. Mas tinha esperança. A igreja havia lhe dado esperança e as pessoas até falavam sobre ele como testemunho para outros. Até que um dia João desapareceu. Quando notaram sua falta e procuraram por ele, encontraram um João confuso e amargurado. Ele não queria mais saber da igreja. Dizia que confiava em Deus e que nunca deixaria de ter fé, mas não iria voltar para a igreja. O que aconteceu? João não sabia explicar, ele só não queria voltar. Era como se sua esperança tivesse desaparecido sem deixar endereço. A história acima é fictícia, mas poderia ser contada com pesar na grande maioria de nossas igrejas. Alguns dizem que a maior igreja atualmente é a igreja dos desviados. De fato, quase que a população inteira de alguns paises na Europa é de pessoas de alguma forma desviadas. O que fazer para trazer de volta essas pessoas para a igreja e, mais importante ainda, para Deus? Como restituir-lhes a esperança perdida? Para responder a estas perguntas e formular qualquer estratégia de alcançar de volta pessoas que se afastaram da igreja, é preciso entender porque elas se afastaram em primeiro lugar. Ou seja, quais são as razões principais pelas quais pessoas que uma vez abraçaram a fé em Jesus, acabam se afastando do Caminho semanas, meses ou mesmo anos depois dessa confissão de fé? Em 1993, William Hendricks escreveu um livro chamado Exit Interviews (Entrevistas de Saída) no qual ele relata as razões dadas por pessoas que estavam deixando suas igrejas nos Estados Unidos. Algumas das razões que Hendricks encontrou na época e relatou em seu livro foram:
É possível que as razões que Hendricks encontrou em seu país há mais de uma década não sejam as mesmas que as pessoas em sua cidade e igreja apresentem hoje. A questão não é se elas são as mesmas, mas sim que se iremos ajudar as pessoas que estiveram em nosso meio a reencontrar o Caminho e a esperança que elas perderam, precisamos estar atentos a elas e não menosprezar o que dizem. Sinto que uma tendência muito forte entre nós é ouvir superficialmente e logo descartar as razões (e as pessoas!) que se afastam como sendo rebeldes. É certo que alguns se desviam como fez Demas, que amou mais o presente século (2 Timóteo 4.10). Mas não parece ser o caso da grande maioria de desviados do Caminho hoje. Após ter entrevistado muitos destes, William Hendricks concluiu: “A maior tragédia era que um sistema que prometia perdão e libertação da culpa para as pessoas, acabava fazendo muitas delas sentirem-se mais culpadas ainda. Isso, por sua vez, levava ao legalismo crônico. Em cada passo, elas se viam debaixo de enormes expectativas que pareciam nunca ter condições de cumprir... Sendo assim, a graça se tornou numa ficção teológica. No entanto, os rumores de um Deus gracioso persistiam.” Será que tornamos a instituição em algo mais importante do que as pessoas pelas quais Cristo morreu? Será que nossos cultos perderam o mistério da grandeza de Deus e do vento do Espírito e se tornaram em reuniões cansativas, previsíveis, rotineiras e chatas? Será que na tentativa de expansão, caímos no erro de transformar nossas igrejas em algo parecido a empresas guiadas pelo lucro? Será que negligenciamos as reuniões de pequenos grupos que poderiam transformar nossas igrejas em comunidades terapêuticas, ao enfocar somente as multidões? Será que reduzimos a mensagem de Jesus a um livro de receitas para a prosperidade e sucesso? Será que não estamos conseguindo comunicar uma mensagem que aponta para o céu e ao mesmo tempo ensina as pessoas a viver uma nova vida com os pés no chão? Estas e outras perguntas deveriam ocupar nossa reflexão sincera com temor diante de Deus enquanto procuramos cumprir com o que Judas nos recomendou nos versos 22 e 23 de sua carta: “Tenham compaixão daqueles que duvidam; a outros, salvem, arrebatando-os do fogo; a outros ainda, tenham misericórdia com temor, odiando até a roupa contaminada pela carne.”
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