02 de setembro de 2010
 
 
Entrevista com Spencer Burke PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 1
PiorMelhor 
Por Luis F. Batista   
01 de abril de 2008
Índice de Artigos
Entrevista com Spencer Burke
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6

(SB)Eu acho que aquilo que vocês experimentaram nos Estados Unidos, nos últimos 10, 15 anos, ou mais que levou pessoas como você e outros a repensar a igreja e a fé, está acontecendo agora aqui, acho que não na mesma intensidade, mas estamos sendo levados a isso, tenho conversado com pessoas e acho que em 10, ou talvez 15 ou 20 anos, teremos uma geração inteira de pós evangélicos no nosso país, isso já está acontecendo, por isso acho que precisamos desse tipo de conversas e diálogos, acho que a gente pode aprender muito de vocês, por aquilo que vocês tem lidado nesse tempo todo.

 

É, mas acho que de uma forma um pouco diferente para cada um de nós, o que foi interessante, principalmente dentro do movimento carismático foi uma colonização bem grande indo para o lado de vocês, vocês têm sido bombardeados pela exportação da Teologia da Prosperidade praticado na década de 80 por aqui, e estávamos nessa década sendo levados ao evangelho puramente social, aquele pensamento mesquinho, tipo "Jesus vai te enriquecer", foi uma coisa que a gente enfrentou, então o pessoal tentou vender esse tipo de coisa. É lógico que eles tentariam estender o movimento para onde pudessem. Acho que porque esse movimento foi meio sobrecarregado aqui ele demorou mais para surgir, uns 40 anos, mas o movimento enfraqueceu rapidamente. O dinheiro acabou vendendo esse desejo desse pessoal em ter um certo poder ganhar as coisas de forma rápida, então isso aconteceu aqui a longo prazo. Como o negócio apareceu aí de forma repentina, acho que vocês devem enfrentar um movimento que se manifestou de forma diferente daqui, mas duas coisas podem acontecer, ou ele aparece rápido e demora para ir, ou vem de forma rápida ou sai de forma rápida, sei lá, no nosso caso, esse movimento demorou para aparecer, mas saiu de forma bem rápida, e acho que é por isso que vão para outro país, eles não conseguem difundir esse negócio aqui mais, eles não conseguem mais incutir esse tipo de coisa nas pessoas, o que é triste, porque deveria ser o suficiente aqui e eles tentam fazer isso funcionar em outros lugares. Isso me soa mal, porque isso está ligado àquele modernismo antiquado, no pensamento filosófico do modernismo, isso não vai conseguir trazer de volta as coisas legais que estão acontecendo de outra forma hoje. Mas é como tudo na vida, é difícil caminhar sem esbarrar na filosofia, negócios, tecnologia ou música ou cultura ele passa de forma rápida através de todas estas coisas. Eu poderia dizer que muita coisa que a gente experimenta é o mesmo, alguma coisa é só uma questão de diferença de tempo em questão dessa exportação do Cristianismo, mas acho que a longo prazo nós é que vamos precisar aprender de vocês, que estão fazendo coisas bem interessantes em integrar essa cultura muito rica e o contexto e entendimento também, é um tema importante também.

 

(LFB):Uma coisa interessante disso é que vimos a importação da Teologia da Prosperidade de uma forma tão rápida aqui e a Igreja Emergente não veio tão rápido assim. Tem um fato, por exemplo, tem muita gente aqui meio reticente às coisas americanas por causa de seu posicionamento político, mas a coisa mais legal que aprendemos da Igreja Emergente ao ler estes livros é que temos muito espaço para melhorar, não somente importar as formas mesmo emergentes dos Estados Unidos, Reino Unido ou Austrália, mas não precisamos fazer a mesma coisa que temos feito por 40 anos até agora e é uma coisa que tenho visto de bastante positiva neste aprendizado..

 

(SB)Sim, e uma coisa que também tenho notado que a forma que vocês tem lidado a respeito de questões de ser igreja hoje em nossa cultura pós-moderna é que vocês não vem empurrando as coisas, não tentam incutir suas idéias e tudo, é bem mais na base do diálogo e conversa, como "Ei, é assim que aprendemos e veja se faz sentido para você e no seu contexto", quando o pessoal entende isso faz muita diferença, o pessoal está cansado daquele negócio de "Nós sabemos muito mais que vocês" ou "Peguem aquilo que sabemos e façam exatamente como lhe dissemos", é basicamente isso o que o Luís quis falar 

 

(LF) Para isso mesmo temos uma área em nosso site criado especialmente para uma contextualização brasileira e regional, pois o pessoal de São Paulo apresentas diferenças culturais com o pessoal do nordeste que apresenta também diferenças regionais do pessoal do Sul, isso porque somos um país bem grande, por isso é importante saber o quanto podemos avançar na forma de ser igreja baseado naquilo que já sabemos em nossa cultura.

 

Eu achei legal essa coisa que vocês estão fazendo de encontrar formas de fazer no seu próprio jeito e em entender em um grande país os indivíduos em regiões especificas do país, esse negócio de uma coisa que serve para todas... no livro "Making Sense of Church" eu falei do evangelho que é vendido no varejo em que as pessoas compram um pacote que parece e cheira a mesma coisa contra o evangelho vendido no atacado, que é: olha aqui está o básico que as coisas são, agora você vai e encontra a forma que o Evangelho vai encontrar vida em você na sua própria voz, na sua própria cultura e eu gosto muito disso.

 



Última Atualização ( 19 de maio de 2008 )
 
< Anterior   Próximo >