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Afinal de contas, o que é igreja emergente? PDF Imprimir E-mail
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Por Gustavo K-fé Frederico   
10 de outubro de 2008
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Afinal de contas, o que é igreja emergente?
Página 2

4- Recebendo os de fora (isto é, os excluídos, os diferentes, o estranho). Jesus constantemente incluiu os excluídos do seu tempo. Não era mais preciso seguir regras de conduta para estar dentro ou fora da comunidade de Jesus. Os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos são convidados. Igrejas emergentes deliberadamente buscam incluir os que são “diferentes”. Evangelismo, portanto, é repensado; deixa de ser proselitista para humildemente caminhar, demonstrar e conviver com o “outro”. Em vez de arrogantes são transparentes e humildes. Em vez de todos procurarem ser chefes, procuram ser servos. Jesus é visto no outro e na outra8. Jesus é visto nos injustiçados e esquecidos da sociedade. Ao longo da caminhada mantém-se o respeito ao “outro”.9


5- Servindo com generosidade. Em vez da Grande Omissão, a Grande Comissão: ide. Assim como Jesus não veio ser servido mas servir, assim também a igreja é convidada a servir. Isto inclui desde os desafios do bairro onde está a comunidade até os desafios globais. Igrejas emergentes evitam ver o serviço como um pé na porta para evangelização. Serviço é uma expressão do amor de Cristo. O dízimo não é para a igreja mas da igreja. Finalmente, o serviço não acontece necessariamente na igreja, mas pessoas podem servir através de suas vocações ou profissões.


6- Participando como produtores. Criando com arte. Todos podem participar na redenção do mundo. No culto, por exemplo, trazemos todo o nosso ser a Deus. Trazemos nosso mundo, nossa realidade, incluindo nossas dúvidas e nossos fracassos. O culto é celebração criativa, mas não é um escape da vida e da realidade. Em vez de consumidoras de culto, pessoas participam como produtoras. Todos são convidados a criarem arte no culto, pois de outra forma o culto tende a tornar-se elitista10. A arte e a cultura são importantes na liturgia. O meio é a mensagem. 11 A utilização de elementos e símbolos da cultura popular brasileira são muito importantes.


7- Liderando como corpo. Não há patriarcas no Reino. Jesus é a cabeça da comunidade. A natureza do Reino de Deus nos leva a reexaminar todos os conceitos de poder. A modernização da igreja acabou gerando uma liderança associada a poder, controle, coerção e submissão à autoridade. Nas igrejas emergentes, busca-se um modelo de liderança que utiliza mais a sugestão e o exemplo do que o poder. Ao invés de hierarquias, redes. Ao invés da visão do líder, a visão de todos. Ao invés de cargo, considera-se influência, exemplo e histórico. Em vez de “mediarem Deus”, líderes ajudam todos em seus ministérios. Em vez de métodos centralizados e de controle, métodos relacionais e descentralizados. Em vez de gerentes, preferem-se conselheiros e visionários. Em vez de líderes carismáticos, líderes participantes. Em vez do líder de sucesso, o líder humilde. Em vez do senhor de engenho, o escravo de Cristo. Em vez de discursos, demonstração por exemplo. No Reino são os servos que decidem, e não a elite poderosa. Dá-se voz aos que não têm voz. Bons líderes emergentes buscam genuinamente o bem de todos e não o de alguns poucos.


________________________________________

1- Várias idéias desse texto vêm do livro “Emerging Churches: Creating Christian Community in Postmodern Cultures”, Gibbs & Bolger.

2- Ao contrário do que promove a Teologia da Prosperidade, o crente é chamado a imitar Jesus buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça. É chamado a amar o próximo como a si mesmo, lembrando-se da parábola do Bom Samaritano.

3- Ou um dos objetivos do culto passa a ser a capacitação do crente e a edificação mútua para servir no mundo.

4- Por isso podemos pensar em igrejas que nascem nos relacionamentos comuns entre pessoas. Podemos imaginar igrejas-lavanderias, igrejas-da-turma-do-bairro, igrejas-dos-skatistas-da-quadra-x, igrejas-dos-amigos-do-bar-y, igrejas-dos-sem-igrejas, etc.

5- Não tenho problemas em considerar amigos em um bar uma igreja. É necessário, contudo, haver compromisso mútuo e ciência da missão de Deus.

6- Não que igrejas emergentes sejam incompatíveis com formas de igrejas históricas. “Igrejas históricas” ou “institucionais” são convidadas a repensarem valores e prioridades, e a participarem da conversa emergente.

7- Ricos, pobres, pessoas assim e assado.

8- Ver Mateus 25.

9- Incluindo aqueles que crêem diferente de nós. Incluindo crentes que gostam muito das coisas como estão.

10- Todos, independente de nível de educação, local de origem ou status social.

11- Isto é, coisas não faladas podem falar alto, como a arquitetura do templo, objetos no templo, roupas, etc.

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lfbatista  - Já escrevemos no Renovatio sobre esse livro     |2008-10-22 15:31:04
avatar Realmente esse livro nos ajuda pelo menos a encontrarmos um vocabulário comum
para referirmos à igreja emergente, cheguei a postar um resumo sobre o livro
neste site
mesmo:
http://www.renovatiocafe.com/index.php/Revisoes/Livros/Emerging-Churches
-Creating-Christian-Community-in-Postmodern-Cultures.html
abs.
Sandro   |2008-10-14 15:22:44
Gustavo, bom resumo da difícil tarefa de descrever igrejas emergentes. Li o
livro do Gibbs & Bolger e acho que fizeram também um bom trabalho. Pessoalmente
sinto que muitas (se não todas essas características) descrevem nossa tentativa
de ser/viver Igreja nos últimos 10 anos. O problema é que, olhando e buscando ao
redor, não encontro quase mais nenhuma igreja emergente... Sei que elas existem,
não quero dar uma de profeta Elias aqui dizendo que ficamos só... Mas onde estão
elas? As poucas expressões que eu conheço estão nos EUA (e muitas delas,
inclusive dos "papas" emergentes, não passariam no "crivo" do
que leio sobre "novo cristianismo" em muitos blogs). A pergunta que
continua ressoando em minha mente é: Onde estão as igrejas emergentes? Você
sabe? Abs
kfeh   |2008-11-29 01:05:09
avatar Querido Sandro,
Fiquei contente em conhecer, mesmo que de longe, o P242.
Poderia citar outros exemplos não de igrejas "emergentes", mas de
igrejas, digamos, alternativas. São exemplos geralmente pouco conhecidos mas que
me animam. Por exemplo, recentemente li e ouvi falar da Igreja Batista de Bultrins, a igreja sem portas e janelas, conhecida por estar extremamente inserida na
comunidade no Nordeste. Conheço outros exemplos de amigos que têm igrejas em
suas casas, alguns com vizinhos de várias denominações diferentes, que criam
suas mini-liturgias próprias. São grãos de mostarda. Nasceram espontaneamente.

Penso que neste início da conversa emergente temos o privilégio de sonhar e
moldar comunidades. Neste início de conversa convido a todos a
participarem!
Abraços

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