| Foi Jesus um "emergente" ? |
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| Por Nelson Costa | ||||||||
| 24 de janeiro de 2010 | ||||||||
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Perguntava-se há anos um dos maiores exegetas da atualidade e respondia : “Jesus foi um emergente . Disso não se deve tirar nem um fio de cabelo, embora as Igrejas e os piedosos protestem e achem que seja blasfémia. Jesus foi emergente porque em nome de Deus e na força do Espírito Santo interpretou e mediu Moisés, a Escritura e a Dogmática a partir do amor e com isso permitiu aos piedosos de permanecerem humanos e até razoáveis”. O quanto isso é verdade, basta recordar o seguinte episódio que releva à maravilha a liberalidade e o horizonte aberto de Jesus: “Disse-lhe João : Mestre, vimos um que em teu nome expulsa os demônios e que não está conosco; e nós lho proibimos porque não está conosco. Disse-lhe Jesus : Não lho proibais, pois ninguém que faça um milagre em meu nome falará depois mal de mim. Quem não está contra nós está conosco”(Mc 9,38-40; Lc 9,49-50). Cristo não é sectário como muitos de seus discípulos ao longo da história. Jesus veio para ser e viver o Cristo e não para pregar o Cristo, ou anunciar-se a si mesmo. Por isso ele sente realizada sua missão lá onde vê homens que o seguem e fazem, embora sem referência explícita ao seu nome, aquilo que ele quis e proclamou. O que quis está claro : a felicidade do homem que só pode ser encontrada se ele se abrir ao outro e ao Grande Outro (Deus) ( Lc 10,25-37; Mc 12,28-31; Mt 22, 34-40).
Há um pecado que é radicalmente mortal: o
pecado contra o espírito humanitário. Na parábola dos cristãos anônimos em Mt
25,31-46, o Juíz eterno não inquirirá ninguém pelos cânones da dogmática, nem
se na vida de cada homem houve ou não uma referência explícita ao mistério de
Cristo. Ele perguntará se tivermos feito alguma coisa em favor dos
necessitados. Aqui se decidi tudo. “Senhor, quando foi que te vimos faminto, ou
sedento, ou peregrino, ou enfermo, ou em prisão e não te servimos? Ele lhes
responderá : “Em verdade vos digo que, quando deixastes de fazer isso a um
destes pequeninos, a mim não o fizestes” (Mt 25, 44-45). O sacramento do irmão
é absolutamente necessário para a salvação. Quem negou isso negou a causa de
Cristo, mesmo quando tem Cristo sempre em seus lábios e oficialmente se
confessa por Ele. A fantasia postula criatividade, espontaneidade, emergência e
liberdade(Pontos crucias da busca da Igreja em
emergência hoje). É
exatamente isso que Cristo exige quando nos propõe um ideal como o do Sermão da
Montanha. Aqui não cabe falar mais em leis, mas no amor que supera todas as
leis. O convite de Cristo : “ Sede perfeitos como vosso Pai celestial é
perfeito (Mt 5,48) derrubou todas as barreiras possíveis para a fantasia
religiosa, quer tenham sido levantadas pelas religiões, quer pelas culturas,
quer pelo momento e as situações existenciais. Por isso Cristo é um emergente,
porque progrediu com à antiga mensagem sobre o Reino de Deus.
Logo, Jesus foi um emergente não por título ou
denominação, mas pela emergência de sua natureza humana-divina, histórica, biológica,
educacional e cultural. Por tudo aquilo que antecedeu e possibilitou sua livre decisão de encarnação. Além do mais, quanto mais se medita sobre Jesus mais se
descobre o mistério que sua vida humilde escondia e mais se remonta para as
origens.
Com Cristo, tudo emerge. Com ele, um velho mundo se acaba. E reaparece um outro, onde os homens têm a chance de serem julgados não por aquilo que as convenções morais, religiosas e culturais determinam, mas por aquilo que, no bom senso, no amor e na total abertura para Deus e para os outros, se descobre como sendo a vontade concreta de Deus.
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| Última Atualização ( 30 de janeiro de 2010 ) | ||||||||
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