Perguntava-se
há anos um dos maiores exegetas da atualidade e respondia : “Jesus foi um
emergente . Disso não se deve tirar nem um fio de cabelo, embora as Igrejas e
os piedosos protestem e achem que seja blasfémia. Jesus foi emergente porque em
nome de Deus e na força do Espírito Santo interpretou e mediu Moisés, a
Escritura e a Dogmática a partir do amor e com isso permitiu aos piedosos de
permanecerem humanos e até razoáveis”. O quanto isso é verdade, basta recordar
o seguinte episódio que releva à maravilha a liberalidade e o horizonte aberto
de Jesus: “Disse-lhe João : Mestre, vimos um que em teu nome expulsa os
demônios e que não está conosco; e nós lho proibimos porque não está conosco. Disse-lhe
Jesus : Não lho proibais, pois ninguém que faça um milagre em meu nome falará
depois mal de mim. Quem não está contra nós está conosco”(Mc 9,38-40; Lc
9,49-50). Cristo não é sectário como muitos de seus discípulos ao longo da
história. Jesus veio para ser e viver o Cristo e não para pregar o Cristo, ou
anunciar-se a si mesmo.
Por
isso ele sente realizada sua missão lá onde vê homens que o seguem e fazem,
embora sem referência explícita ao seu nome, aquilo que ele quis e proclamou. O
que quis está claro : a felicidade do homem que só pode ser encontrada se ele
se abrir ao outro e ao Grande Outro (Deus) ( Lc 10,25-37; Mc 12,28-31; Mt 22,
34-40).
Nunca pensei na igreja emergente como uma resposta à direita religiosa ou à igreja conservadora ou dogmática ou ortodoxa. Desde meus primeiros dias de seminário, sempre supus que a igreja emergente fosse uma resposta à verdade de Deus como revelado em Jesus e em outros mestres e profetas iluminados. É uma resposta ao lento desvendar dos segredos do universo que continuam a expandir nossa compreensão dos temas bíblicos, do Jesus histórico e do desenvolvimento das religiões em geral. Sempre supus que a igreja emergente fosse tanto uma resposta à verdade quanto uma busca pela mesma. Em outras palavras, uma igreja em emergência, está baseada na aceitação de uma fé progressista.
Eu cresci em uma igreja presbiteriana, e a maior herança que tenho desse ambiente foi o conhecimento bíblico que tive nas Escolas Dominicais e também a minha capacidade de liderança e organização, bastante desenvolvidos no meu envolvimento com grupo de jovens. No entanto, à medida que tenho visto vários exemplos de comunidades missionais e emergentes, tenho sentido uma grande falta na minha capacidade em criar momentos de encontros com Deus ou de vislumbrar um processo de formação espiritual. A igreja protestante brasileira em geral tem poucas práticas, se de um lado a gente ganhou em não cair em ritualismos mortos, perdemos muito em não desenvolver nosso imaginário da presença de Deus em nosso meio.
Por isso tudo, tenho aprendido bastante com vários blogs de grupos missionais espalhados pelo mundo, especialmente pelo pessoal do Mustard Seed Associates, que tem feito frequentemente desafios muitíssimo interessantes para desenvolvimento prático da nossa fé. No começo do verão americano, a Christine Sine, depois de desenvolver algumas idéias muitíssimo interessantes sobre espiritualidade no cuidado de seu jardim, iniciou uma série buscando o ponto de vista de várias pessoas a respeito do que significam práticas espirituais, desde então, tenho visto posts surpreendentes de pessoas que tem esse encontro com Deus através de várias atividades bem do dia a dia, vale à pena ver e acompanhar! Veja uma lista atualizada do que foi publicado até agora.
."Havia várias coisas e pessoas no tempo de Jesus que eram consideradas impuras. A lista é longa e acha-se, naturalmente, em Levíticos. Ser impuro significa que você é desqualificado para entrar no templo. Ser impuro é ser profano e portanto impróprio para estar na presença de um Deus Santo. E até mesmo tocar alguém considerado impuro ... como uma mulher sangrando ou um cadáver é profanar a si mesmo de forma que você também é agora impuro. Nesse sistema as coisas eram claras e todos tinham uma identidade. Mas Jesus bagunçou a coisa toda. O que... é o jeito dele.
Nadia Bolz-Weber, pastora luterana da Casa para Todos os Pecadores e Santos em Denver, Colorado, Estados Unidos
Desde a Páscoa, JR Woodward está fazendo um trabalho realmente fantástico em reunir diversos escritores, ativistas e praticantes para anunciar quais são as boas notícias para a sua cidade, tem sido uma série realmente incrível, todo dia, da Páscoa até o Pentecostes, temos uma colaboração de um lugar diferente que apresenta perspectivas diferentes, mas a mesma esperança, recomendo fortemente que você verifique o que tem sido escrito (em inglês).
Em uma época que notícia ruim vende, e por isso somos todos os dias sobrecarregados por elas, é bom demais lembrar as verdades que o Evangelho traz para nós, e como ele tem sido sentido em várias partes desse mundo.
Como tive o privilégio de participar dessa série, resolvi postar também em português o texto que postei no dia de hoje. Espero que te inspire:
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