| Igreja Emergente no Contexto Brasileiro |
|
|
|
| Por K-fé | |||||||||
| 13 de março de 2008 | |||||||||
Página 4 de 7
Por “cultura mais comunal” quero dizer que de forma genérica em comparação com certos países do hemisfério norte o Brasil tem uma cultura menos individualista. Não saberia dizer se um instinto coletivo de sobrevivência em meio a duras dificuldades tenha desenvolvido este espírito cooperativo ou se a coisa simplesmente não tem muita explicação. Enquanto no Brasil a comadre ainda pede emprestado açúcar à comadre vizinha, pessoas em países como os Estados Unidos se isolam bastante nos seus subúrbios, sem muitas vezes saberem o nome de seus vizinhos. Enquanto o brasileiro aparece na casa do amigo sem avisar e ainda fila uma bóia, o canadense (inglês) liga uma semana antes para o amigo chegado para agendar uma visita. Mas o fato é que Igrejas emergentes no hemisfério norte “lideraram como corpo” por buscarem conscientemente a participação de todos e por repensarem liderança. A idéia para a conversa emergente no Brasil é de aproveitar o espírito comunal e de cooperação na concepção de comunidades que enfatizam os relacionamentos. Nesse tópico dois desafios aparecem. Formas de lideranças existentes tendem a pôr holofotes na figura do pastor. E a violência desgasta a confiança entre as pessoas, isolando cada vez mais as pessoas. No contexto brasileiro penso que a conversa emergente incluirá duas correntes: a Evangélica e a “livre”, sendo que na primeira deve-se pensar em vertentes pentecostais. A corrente Evangélica traçaria ainda uma linha histórica ininterrupta com convenções ou mesmo “ministérios independentes”, mesmo quando comunidades emergentes venham a sair de tais denominações. Desta forma a nova comunidade seria mais facilmente identificada como “igreja” como os evangélicos concebem o termo hoje. Certos elementos permaneceriam, como “cultos” em local central de encontro. E a igreja se identificaria como “igreja cristã”. Nesta corrente também poderíamos esperar igrejas ou movimentos que vivem e se desenvolvem dentro de convenções históricas, talvez com suporte das convenções. Nos Estados Unidos, movimentos desse tipo incluem Presbymergent[15], Anglimergent [16], Luthermergent [17], EmergenceUMC (Metodista) [18], e Submergence (Menonita)[19]. Esta ala também incluiria grupos não aceitos em suas denominações, mas que ainda gostariam de manter ligações históricas ou doutrinárias. De fato, alguém constatou que muitas comunidades auto-designadas emergentes mantém suas tradições históricas. Aliás, nos Estados Unidos este tipo de comunidade mantém com mais interesse e mais deliberadamente tradições antigas (desconstruídas e reconstruídas na maioria das vezes principalmente no tocante a liturgia) do que a maioria das igrejas das convenções originárias. Isto contra-argumenta insinuações de desconsideração da herança histórica e apostólica por comunidades emergentes. Por corrente “livre” classifico comunidades emergentes de formas e costumes diferentes do que os evangélicos costumam chamar de “igreja”. Seriam grupos de pessoas que querem intencionalmente seguir a Jesus, mas que teriam formas ou estruturas ainda mais alternativas. Aqui teríamos inicialmente mais pessoas vindo de experiências negativas com o establishment. Teríamos uma gama de tipos muito heterogêneos de comunidades. Redes de amigos cristãos e não-cristãos que são intencionais e conscientes nas suas expressões de fé e que têm algum nível de responsabilidade mútua. Igrejas nos bares, igreja nos lares, igreja nos ares. Igrejas-cafés. Igrejas-sapatarias. Igrejas-torcidas-organizadas. “Terceiros espaços” como descritos nos livros “The shaping of things to come” e “The Great Giveaway” seriam comuns tanto na corrente evangélica quanto na ‘livre’ (terceiros espaços são lugares “neutros” onde crentes e não-crentes interagem). Espero particularmente ver, em decorrência da conversa emergente no contexto brasileiro, muitos “laboratórios” e “experimentos”. Tais exercícios dariam asas à imaginação e embasariam a conversa emergente com termos práticos. Cito um episódio interessante envolvendo Karen Ward: “Em uma ocasião, depois de gastar horas com ela na Sala de Estar, o bar da igreja, um visitante perguntou a Karen Ward (Igreja dos Apóstolos, de Seattle, [Estados Unidos]: ‘Quando é o culto da sua igreja?’ ‘Você acabou de [vê-lo], respondeu Karen”. [20] Uma das características interessante da igreja emergente é o fato de “ainda estar emergindo”. Como diz o livro “Emerging Churches”, líderes de igrejas emergentes “talvez olhem mais para trás de onde estão emergindo do que para frente para onde estão emergindo.”[21] Nesta fase primeiro se desmancha o antigo e depois se reconstrói o novo. Nesse processo de desmanche podemos esperar que a linguagem em especial seja repensada e modificada. Podemos esperar críticas à conversa emergente, com acusações de ter tom negativo, ou por não “amar a igreja” ou por desconstruir estruturas eclesiásticas. Desempacotando o discurso negativo nessas ocasiões as pessoas deverão notar que a desconstrução de certas idéias de igreja acontece por tais idéias não serem viáveis na cultura pósmoderna. Nem o evangelho nem a cultura requerem tais expressões de fé. Portanto a nova conversa emergente, as novas comunidades (principalmente as ‘livres’), e os novos líderes precisam ser nutridos e encorajados se desejamos ver o evangelho traduzido e inserido na cultura (brasileira) do século XXI.
|
|||||||||
| Última Atualização ( 13 de março de 2008 ) | |||||||||
| < Anterior | Próximo > |
|---|

























valeu Fernando pelo menos aqui no p...
Existem pessoas que desejam permanece...
Li a versão em portugues de Cristiani...
O grande poder de modificar as coisas...
Ola apesar de todos os acontencimento...