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Igreja Emergente no Contexto Brasileiro PDF Imprimir E-mail
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Por K-fé   
13 de março de 2008
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Igreja Emergente no Contexto Brasileiro
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O primeiro ponto ao meu ver tem um contexto histórico genérico e um outro componente específico do meio evangélico brasileiro. O período de ditadura militar no Brasil foi um período de violência,  polarização, tortura e suspensão da democracia. Como diz a wikipedia, “O ufanismo generalizado pelo regime militar acabou tendo conseqüências gravíssimas para a cultura nacional. Como o governo passou a associar tudo que era bom do Brasil ao regime militar, o povo passou a imediatamente rejeitar tudo que era nacional. Além disso, a entrada dos produtos norte-americanos, e lançamentos de modismos entre os jovens, fizeram que após a abertura política, as rádios fossem invadidas com músicas estrangeiras, [e] o cinema nacional começou a decair”. Após anos de chumbo, as esperanças da retomada da democracia e de um primeiro presidente civil em 1985 morrem com Tancredo Neves. Anos depois levanta-se Collor. Um presidente jovem, moderno que anda de jetski, “o caçador de marajás”. Mas ele mesmo é corrupto. Só os jardins da sua casa custaram US$ 2,5 milhões. Impeachment nele. Depois morre Ayrton Senna. Lá se vai mais um super-herói. Depois vem  Lula, o primeiro presidente “de esquerda” por assim dizer. Existem grandes expectativas de soluções para a crise social. Após mais escândalos de corrupção (Correios, venda de dossiê em SP, Lulinha e Telemar, cartões corporativos) a figura de Lula se desgasta, e a figura de super-herói e a esperança se desfazem para muitos. Talvez algum historiador possa explicar melhor este ponto, mas a idéia é de que vez após vez as projeções de heróis idealizados se destroem e a dura realidade cotidiana continua. Especulo que diante deste grande e complexo quadro a massa evangélica não tenha muito o que dizer além de declarar mais alto que “O Brasil é do Senhor Jesus”, sem saber ao certo o que isto queira dizer.

Dentro do próprio meio evangélico, a “queda” de Caio Fábio também frustrou a esperança de muitos. Infelizmente a palavra “evangélico” é associada por muitos a problemas de conduta. Isto é irônico, uma vez que um dos meios de evangelização mais enfatizados pelos evangélicos seja justamente o testemunho através da moral. Isto é, não dançar, não fumar, não ir a festas e não fazer sexo antes do casamento seriam instrumentos de evangelização, mostrando uma “vida de santidade” e conduta, uma vida separada do mundo que atrairia os não-crentes. Contudo o tiro sai pela culatra quando a população vê as indulgências da Igreja Universal do Reino de Deus, dólares escondidos na Bíblia por Sônia e Estevam Hernandes, o escândalo das sangue-sugas que envolveu vários políticos evangélicos, ou o deputado e pastor Mário de Oliveira aparentemente planejando matar o pastor colega Carlos Willian. Em vez de verem os evangélicos como exemplar vêem-nos como hipócritas ou charlatões. Dentro dos evangélicos, portanto, parece haver uma espécie de descontentamento sem nome e orgânico. Por exemplo, várias pessoas que conheço dão a entender que por causa do desgaste da imagem do “evangélico” pretendem passar a autodenominarem-se “cristãs”. Não dizem que mudarão suas crenças, mas que gostariam de ter um outro rótulo. Semelhantemente, nos Estados Unidos o termo “evangelical” passa por uma crise. Michael Patton comenta o desgaste do termo nos Estados Unidos: “Tem pessoas falando já faz 15 anos que a igreja evangélica tem poucos anos de vida sobrando.[7] E ela precisa ser ‘reavivada’[8]. Pode ser ‘reavivada’? Precisa de uma mudança de nome? Eu não sei. [...] O problema é o seguinte: a mídia [...] tomou posse da capacidade de caracterizar quem quer que seja da forma que querem. Os evangélicos perderam várias características. Este talvez seja um termo que não tem mais recuperação”.[9] O site de redes de relacionamento Orkut contém comunidades com nomes do tipo “Sou Cristão apesar da igreja”. O músico João Alexandre expressa sua incompatibilidade e frustração compartilhadas por muitos outros na música “É Proibido Pensar” do CD de mesmo nome por não conseguir “se encaixar nesse esquema”.

A globalização e a Internet podem ser vistas como agentes catalizadores de mudanças. Por um lado tornam o mundo menor, facilitando o contato entre as pessoas e novos tipos de relacionamentos. A Internet, por sua vez, é vista por alguns como um elemento de mudança social abrupta, de proporções semelhantes à transição da tradição oral para a escrita. Pessoas criam identidades novas numa nova dimensão digital, e o conceito de “comunidade”, portanto, muda. Considerando esses fatores, grupos diferentes esforçam-se por entender as conseqüências da era digital no conceito de ‘igreja’, como o projeto Wikiklesia [10]. No Brasil, o Wiki Cristianismo[11] é uma enciclopédia que, por ser um wiki[12], fomenta a participação coletiva em suas definições. Enquanto idéias de igrejas virtuais e “realidade virtual” tendam a ser categorizadas como estranhas por várias pessoas, o fato é que emails, torpedos, chats, blogs, sites de redes sociais e fóruns mudaram a forma das pessoas se comunicarem e relacionarem. Rachelle Mee-Chapman, da igreja Thursday PM, de Seattle, EUA, afirma:

                “Meu blog[13] é meu púlpito. Eu raramente prego numa igreja. É no blog onde questões teológicas são discutidas” [14]



Última Atualização ( 13 de março de 2008 )
 
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