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Por Gustavo K-fé Frederico   
29 de julho de 2008
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Eles Querem Prosperidade ou Dignidade?
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“Toda atividade que Jesus fez foi em um contexto sócio-político. Jesus poderia simplesmente ter procurado transformar a sociedade no nível macro, mas ao invés ele criou uma micro-sociedade para transformar a cultura. Essa comunidade que funcionava 24 horas a semana inteira se relacionava a tudo na vida. Como um novo tipo de família, eles praticaram política, economia e estrutura social alternativas. O Sermão do Monte serviu como sua constituição. A principal tarefa de igrejas parecidas com o Reino é capacitar aqueles dentro da comunidade a servir debaixo do reinado de Deus. Ao incorporar este reino, a formação da comunidade deve ser central e envolve treinamento prático no evangelho: como servir, como perdoar, como amar, como abrir a sua casa para hospedar. Mais importante do que qualquer programa, formação comunitária fornece uma maneira de a pessoa viver uma forma de vida completamente diferente.“ (Ryan Bolger, “Following Jesus Into Culture”, “An Emergent Manifesto of Hope”, p.135)

- Reexaminem o papel e as responsabilidades do pastor. Nas igrejas que apregoam a Teologia da Prosperidade não raramente o pastor é o garoto-propaganda da prosperidade. Não raramente é o testemunho de que é possível “se dar bem”. Assim, o pastor se torna uma estrela de terno e gravata, um “ministro”. Tanto a mensagem falada como as mensagens e imagens não-verbais apontam para um lugar de destaque para o pastor. Pelo contrário, o pastor deveria personificar a humildade. Deveria traduzir a Palavra de Deus demonstrando-a na prática. Deveria animar as pessoas (e não coagi-las, nem subjuga-las, nem controla-las). Deveria viabilizar comunidades alternativas. Há também o desafio de o pastor não ser uma barreira financeira que impeça a igreja de viver os valores do Reino. Alternativas incluem pastores fazedores-de-tenda (em que o pastorado não é a única profissão), por exemplo.

- Atuem politicamente. Sei que a igreja cometeu grandes erros históricos com a combinação de política com religião. Mas vejamos o assunto por um novo ângulo. “Política” faz referência aos relacionamentos inter-pessoais. Portanto, não tem como uma pessoa ou um grupo ser “a-político”: todas nossas ações têm conseqüências políticas, estando nós cientes ou não. A política pode ser contínua, com o exercício constante da cidadania. Votar é apenas uma das possíveis ações políticas. A mensagem e o modelo do Reino de Cristo não promovem figuras poderosas e controladoras. Pelo contrário, ao ser perguntado quem era o mais importante no Reino  Jesus diz que “a pessoa mais importante no Reino do Céu é aquela que se humilha e fica igual a esta criança.” (Mateus 18.4) Por um lado Jesus não toma as armas para participar da causa nacionalista (Simão era seu discípulo). Jesus paga o imposto a César. Jesus frustra as esperanças judaicas de um Messias político. Por outro lado, a humildade, o amor  e o modelo de comunidade simples de Jesus ameaçam o establishment no seu cerne. Quando sugiro que comunidades atuem politicamente não estou sugerindo que indivíduos e comunidades “joguem o jogo da política”, mas que estejam plenamente cientes do valor do “outro” no Reino, que se indignem com a comercialização da graça (João 2.15), que se envolvam nos direitos humanos básicos e que demonstrem em suas comunidades o amor que transforma e restaura. Como diz Jim Wallis, não basta continuarmos retirando corpos do rio; nós precisamos ir rio acima ver quem está jogando-os.  

Gustavo "K-fé" Frederico 

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fq     |2008-08-10 20:50:22
Bom texto cara

abs

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