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Igrejas que vêem práticas e discursos neo-pentecostais chegando perto bem como igrejas que já são neo-pentecostais têm a oportunidade de repensar certas práticas que podem ajudá-las:
- Revejam o conceito da divisão entre o sagrado e o profano. Revejam a encarnação de Jesus. Lembremos que Jesus amou o mundo (João 3.16). Jesus andava com pessoas de má fama (Marcos 2.15,16) Revejam como Deus atua no mundo, e como comissiona a sua igreja a também fazê-lo. Releiam livros de pentecostais como “A Cruz e o Punhal” de David Wilkerson e vejam como se inseríam no mundo de caos. O amor de Jesus nos desafia a amar “o outro”, o “inamável”. “Se vocês amam somente aqueles que os amam, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama amam as pessoas que as amam.” (Lucas 6.32) É somente amando os excluídos, os esquecidos e os “inamáveis” que nosso amor se mostra verdadeiro. Esse amor requer tempo, conversa, atenção e interesse genuíno. Esse amor requer convívio. Esse amor requer a nossa própria vida. “Ninguém tem mais amor pelos seus amigos do que aquele que dá a sua vida por eles. “ (João 15 .13) Lembremos da pergunta “quem é o meu próximo?” e da resposta contida na história do bom Samaritano. Na história o herói é o samaritano (o “de fora”, o “do mundo”). Os crentes (nós, os “de dentro da igreja”) não respondem ao direito básico à vida para não negarem seus preceitos.
- Reestabeleçam a ligação com a realidade, com o cotidiano. Quando “espiritualizarem” um assunto não esqueçam de “carnalizarem” também. Que tenhamos uma crença relevante de Segunda à Sexta e não apenas no Domingo. Lembremos que o juízo final os critérios serão se demos de comer a quem teve fome, água a quem teve sede, se hospedamos os estrangeiros, se vestimos quem não tinha roupa, se cuidamos dos doentes, e se visitamos os detentos (Mateus 25). Lembremos que quando fazemos estas coisas é a Jesus que fazemos. E que quando deixamos de fazer estas coisas é a Jesus que deixamos de fazer. Talvez se víssemos Jesus nessas pessoas nossa atitude mudaria.
- Reconheçam que o fracasso faz parte da caminhada cristã. A Bíblia relata “a vida como ela é”. Documenta não só as “vitórias” mas também os fracassos. Jesus nos lembrou que neste mundo teríamos aflições. A poesia do Antigo Testamento reflete não uma visão “Poliana” da vida, mas sua realidade:“Deus me abandonou num sofrimento, meu armou uma armadilha“ (Lamentações 1.13)
“Deus construiu um muro de sofrimento e amargura“ (Lamentações 3.5)
“Deus me amarrou com pesadas correntes“ (Lamentações 3.7)
“Grito por socorro, mas não quer escutar minha oração“ (Lamentações 3.8)
“Por que te escondes de nós e das nossas aflições? “ (Salmos 44.24)
“Se nós aceitamos coisas boas de Deus, por que não vamos aceitar também as desgraças? “ (Jó 2.10)
- Revejam quem é o “inimigo”. Lembremos que Jesus ordenou que amássemos nossos inimigos ( Mateus 5.44) Repensem o linguajar bélico lembrando que Jesus disse “Felizes as pessoas que trabalham pela paz” (Mateus 5.9) Lembremos do que Paulo escreve “Mas façam como dizem as Escrituras: ‘Se o seu inimigo estiver com fome, dê comida a ele; se estiver com sede, dê água. Porque assim você o fará queimar de remorso e vergonha.’” (Romanos 12 .20) Lembremos do perdão radical de Jesus que ora na cruz “Pai, perdoa esta gente!” (Lucas 23.34a)
- Algumas igrejas pentecostais têm a tradição da “renovação”, isto é, a tradição da não-tradição (principalmente as independentes). Isto pode ser bom. Podem aproveitar para conceber e experimentar maneiras novas de ser comunidade ajudando-se mutuamente.
- Explorem maneiras de viver em comunidade. Lembremos que nosso Deus é uma comunidade de três pessoas. Substituam a prosperidade pela dignidade. Tenho a impressão que a maioria das pessoas busca justiça, trabalho digno, habitação digna, saneamento digno, acesso a saúde, acesso a boa educação, etc. Não exatamente a prosperidade. Não exatamente o luxo. O crente portanto deve abdicar a intenção de “se dar bem” na vida por meios questionáveis em favor de construir comunidades de apoio mútuo que incorporem a teologia do Reino de Deus.
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