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Eles Querem Prosperidade ou Dignidade? PDF Imprimir E-mail
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Por Gustavo K-fé Frederico   
29 de julho de 2008
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Eles Querem Prosperidade ou Dignidade?
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Em um país com vários problemas sociais, é natural a busca por um discurso que tenha alguma "boa notícia". As igrejas históricas costumavam enfatizar a mensagem de que a pessoa teria vida eterna após a morte. No presente restavam regras de conduta e moral. A Teologia da Prosperidade é portanto atraente para o Seu João, que está desempregado, tem moradia precária e não tem acesso à saúde. É atraente para a Dona Maria, que tem a sua família “desestruturada” (alguém já ouviu a menção do Demônio chamado Problemas Sociais Complexos?). Quem sabe um dia eles ganham na loteria divina? Ou será que Deus cuida deles apesar da Teologia da Prosperidade? Se por um lado a Teologia da Prosperidade abusa da promessa do bem-estar no aqui e agora, nas igrejas históricas a redução do evangelho somente à vida após a morte faz-nos fechar os olhos e o bolso para os que estão sofrendo.  João indaga: “Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus?” (I João 3.17 ). Como diz Søren Kierkegaard:

"O cristianismo [...] deixou de ser boas notícias para aqueles que sofrem, uma mensagem de esperança que transforma sofrimento em alegria, mas virou uma garantia de deleite na vida intensificada e garantida pela esperança de eternidade. Hoje as boas-novas são pregadas aos ricos, aos poderosos, que descobriram que ele é vantajoso. Voltamos ao mesmo estágio original ao qual o cristianismo queria se opôr! Os ricos e os poderosos não somente acabam ficando com tudo, mas seus sucessos se tornam a marca da sua piedade, o sinal dos seus relacionamentos com Deus. E isto leva à antiga atrocidade de novo, a saber, a idéia que o desafortunado, os pobres são culpados pela sua própria condição; que é assim porque não são piedosos o suficiente, não são cristãos verdadeiros, porque são pobres, enquanto os ricos têm não apenas prazer mas piedade também. E isto dizem ser cristianismo. Compare-o com o Novo Testamento, e vocês verão que isto está o mais longe possível do Novo Testamento.” (“Boas-novas para os pobres”, “Provocations: Spiritual Writings of Søren Kierkegaard”) 

Costumamos associar Sodoma a pecados de perversão sexual. Contudo, Ezequiel considera o problema sexual secundário. “Sodoma e as suas filhas eram orgulhosas porque tinham muita comida e viviam no conforto, sem fazer nada; porém não cuidaram dos pobres e dos necessitados.” (Ezequiel 16.49)

                A grande maioria dos grupos cristãos tem alguma preocupação com os pobres. Os problemas estarão nos detalhes. Não seria crueldade sermos apáticos ou mesmo cúmplices de um sistema social que gera desigualdades sociais ao mesmo tempo que condenamos a Teologia da Prosperidade do Seu João e da Dona Maria? A teologia se reflete na prática. Infelizmente a maioria das igrejas históricas brasileiras que conheço dão mais ênfase e valor ao conteúdo dos seus cultos do que com o bem-estar das pessoas na congregação ou no bairro. Infelizmente não raro os custos com pastores, secretárias, zeladores, pedreiros e patrimônio excedem a pura e simples ajuda a quem precisa. Isto ao meu ver é um tipo de idolatria. Idolatria da própria fé. É ao mesmo tempo alienação da realidade e apatia.



Última Atualização ( 09 de agosto de 2008 )
 
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