Há pouquíssimos dias ouvi de dois amigos, ambos sujeitos esclarecidos, com formação superior, a opinião de que realmente não vale a pena interessar-se por assuntos políticos, dada a atual situação no senado federal. Segundo eles, nada muda: é escândalo sobre escândalo. Suas opiniões, ao que me parece, são perfeitamente compreensíveis, afinal, quem, sendo minimamente decente, deseja sujar-se, envolver-se em assuntos pra lá de suspeitos, obscuros e confusos; coisas que não começaram agora, mas que vêm se arrastando sabe-se lá desde quando? Todavia, mesmo compreendendo aos meus amigos, não pude não discordar.
Quero deixar aqui as dicas, e o exemplo do meu caro amigo Cláudio Oliver essa semana pelo "The Ooze", de como emergir em tempos de emergência na prática, dentro do contexto missionário.
Tag- Emergência Missional.
*Nota do site - veja outras histórias em TheOOze.tv
Nesta série de artigos tenho escrito sobre falsos inimigos. Isto é,
pessoas ou idéias que às vezes são erroneamente alvos de
nosso combate
mas das quais temos visões geralmente equivocadas.
Aqui chamo de "Monstro" justamente a figura deturpada do inimigo.
Neste caso o inimigo é visto como algo horrível, ameaçador e cruel. Por
ser esse Monstro tão horrível e ameaçador e cruel, somos justificados
em bater nele.
Muitas vezes o inimigo é pintado como o Monstro para justificar a
ação e os métodos dos combatentes. Alguém que busca a justiça tentará
ter uma visão a mais verossímil e mais factual possível antes mesmo de
classificar os personagens entre mocinho e Monstro.
A História, já disse alguém, é escrita pelos vencedores.
Na escola primária ouvi os seguintes "fatos" sobre o "descobrimento" do Brasil:
- A História do Brasil começou em 1500.
- Pedro Álvares Cabral "descobriu" o Brasil em 1500.
- Pedro Álvares Cabral procurava um caminho para chegar até as Índias. Ele se enganou e chegou no Brasil por acaso.
- Quando chegou ali viu vários índios pelados. (Isso a professora não disse, mas estava óbvio pelas figuras)
- Os índios ficaram admirados com os espelhos, os navios e as roupas
dos Portugueses (isto é, com os avanços da civilização Européia).
O inimigo neste caso é a Igreja Instituição. Esta idéia de instituição estaria associada à burocracia derradeira, à centralização de poder decisivo, à vivência em função de si, ao fluxo nebuloso de dinheiro, a estruturas sem vida desconexas da realidade e à apatia às pessoas. Essas imagens certamente são ruins. Mas não podemos tão automaticamente associar uma idéia de instituição com esses problemas.
O termo "instituição" pode ser usado de diferentes formas. Assumamos que uma instituição é, de forma genérica, um fundamento, um estabelecimento, uma criação. Nesse sentido existem vários exemplos de instituições. O casamento é um exemplo. O Congresso Nacional é outro. Notemos que instituições nessa discussão incluem pessoas. Depois incluem também estruturas e processos.
Entendo grande parte das pessoas que são contra a Igreja Instituição. Mas temo que a expressão e a idéia sejam abrangentes demais para concordar com elas.
Para algumas pessoas as denominações cristãs são inimigas.
Uns 15 anos atrás estava conversando com meu professor de violão em Porto Alegre, o Marcos. O Marcos perguntou a uma outra pessoa:
- "De que igreja você é?"
- "Eu sou da igreja de Jesus."
- "Sim, sim. Mas você não costuma ir lá na Comunidade?"
E a outra pessoa reagiu:
- "Que é isso, Marcos?! Nós somos todos da igreja de Jesus, da igreja sem nome! Nós devemos dizer que somos todos da igreja universal. Os nomes são barreiras e apenas nos dividem. "
Acontece que "a Comunidade" era como todo mundo chamava e chama até hoje aquela igreja local.
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